(postagem hiper mega power atrasada, mas eu estava com preguiça demais pra digitar tudo isso)
De uma forma geral eu não me considero uma pessoa preconceituosa. Ao menos, não o tipo de pessoa preconceituosa que me vem à mente quando penso em pessoas preconceituosas, o que pode ser um pensamento especialmente preconceituoso. De qualquer forma, eu sei que tenho meus preconceitos.
Por exemplo, eu não como peixe. De jeito nenhum. Não importa se é assado, frito ou se foi jogado três vezes no ar numa noite de lua cheia. Eu não como. Eu não lembro como é o gosto e me sinto muito feliz com isso. Além disso, eu não chego nem perto de qualquer livro do Paulo Coelho ou da Martha Medeiros. Nunca li nada deles e com sorte vou morrer sem ter lido. E eu decididamente odeio qualquer pessoa que odeie livro, mesmo as que eu não conheço.
E eu estou ok quanto a esses preconceitos. Quero dizer, não é como se eu me sinta feliz por ter uma predileção a odiar noventa por cento do mundo – mas eu estou ok com isso. Mas querem saber uma coisa sobre ter preconceitos? É uma droga.
Verdadeiramente, é realmente uma droga. Acreditem em mim.
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Eu não lembro a primeira vez que eu ouvi falar de “A Culpa é das Estrelas” do ilustríssimo Sr. John Green. Mas eu me lembro bem de que o título nunca me incentivou muito a saber mais sobre a história – tanto pelo contrário. “A Culpa é das Estrelas” soa muito como aqueles pseudo-livros “Bianca” e “Sabrina” que minha mãe faz questão de ler.
Além do mais, a história garota-com-câncer-encontra-garoto-bonito-se-apaixonam-blá-blá-blá parece demais com as histórias do Sparks, e Deus sabe que a vida é curta demais para ser desperdiçada com literatura ruim, como a dos livros desse senhor.
Mas, contudo, entretanto e todavia.
“A Culpa é das Estrelas” começou a me perseguir. Primeiro apareceu em um web show que eu olho, o Lydia Bennet!! (spin off de The Lizzie Bennet Diaries), onde a Mary estava lendo. Depois a Mary Kate Wiles(aka Lydia Bennet) disse em seu Tumblr que esse era o livro preferido dela (e eu realmente, realmente gosto da MK). Então o golpe final veio, numa quinta-feira a noite, e eu soube que não tinha mais volta. Lá estava, no feed de notícias do meu Facebook, um post sobre o quão genial esse livro era.
Confesso que ainda não levava muito fé no livro. Mas resolvi dar uma chance pra história. Nem que fosse só para poder falar mal depois. Quão estúpida eu era. Quão estúpida eu sou...
Acabei de ler o livro um pouco depois das três da manhã, com lágrimas escorrendo pelos olhos e o coração quebrado em um milhão de pedaços. Por que o John Green é um bastardo sem misericórdia - e eu posso dizer isso sobre ele, uma vez que estou totalmente apaixonada por esse cara e seu irmão (mas isso é assunto pra outro post).
TFiOS como é chamado (The Fault in Our Stars – título original) é mais do que genial. Vai muito além da genialidade. Como o Marcus Zusak diz na capa, eu ri, eu chorei e eu, definitivamente, quis mais.
Eu tenho um problema com resenhas, porque eu odeio qualquer tipo de spoiler (por mais idiota que seja) sobre um livro antes de lê-lo. Mas eu preciso escrever sobre esse livro. Preciso. Então, se vocês são como eu e não gostam de conhecer a história antes de lerem o livro, aconselho que pulem para o parágrafo final.
Eu acho extremamente complicado traduzir o porque alguns livros são tão magnificamente bons e outros tão especialmente ruins. Na minha humilde opinião, existem dois caminhos para se criar um bom livro. Você pode ter essa história super fantástica, como Harry Potter ou Eragon, e simplesmente ir contando ela. Ou você pode criar uma história "normal" e contá-la de maneira fantástica, como "A Libélula dos Seus Oito Anos" ou "O Assassinato de Roger Acroyd".
Eu diria que o livro do John Green pende mais para o lado do escrito magnificamente do que para o lado de história totalmente empolgante. Quero dizer, livros de garotas com câncer tem aos montes por ai. Romances juvenis então nem se fala. Mas ele pegou esses elementos meio "batidos" e fez algo totalmente novo e maravilhoso.
O que eu realmente, realmente gostei no livro é que apesar da Hazel (personagem principal) ser uma vítima (do câncer) ela não é uma vítima (da vida). Ela não passa o livro inteiro chorando por que oh! como é triste viver assim, nem o câncer é uma desculpa para fazer a história parecer mais "profunda" do que realmente é. Ela é como uma pessoa real realmente é. Às vezes ela fica totalmente de cara com o universo por fazer o que faz com ela, às vezes ela simplesmente aceita as coisas como são e segue em frente do jeito que é.
É bom ler um livro que finalmente quebra esse monte de ditados horrorosos como "Sem dor, como conheceríamos a alegria?", ao que a Hazel brilhantemente responde que o sabor do brócolis não afeta em nada o do sorvete.
É bom ler um livro que não romantize uma doença tão horrível quanto o câncer. Porque é horrível. Porque é decididamente uma das piores doenças que jamais existiu. Porque é teu corpo se virando contra ele mesmo. Porque requer um tratamento que é tão horrível quanto a doença em si. E isso NÃO devia ser romantizado.
É bom ler um livro que tenha uma personagem principal que, antes de mais nada, é inteligente. Que não é só mais uma garota estúpida com sonhos mais estúpidos ainda. Que sabe fazer piada mesmo quando tudo está caindo aos pedaços. Que é tão verdadeiramente feita de awesome.
É bom ler um livro que é cheio de referências a Shakespeare. E que a cada página trás um quote mais inesquecível do que outro.
E é terrivelmente bom ler um livro onde apareça um Augustus Waters. Convenhamos, ele é o garoto mais incrível do universo. E eu subiria com ele nessa montanha russa, que só vai para cima, até o fim.
Uma pena que ele não exista. Mas bem, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos.
Para concluir, basta dizer que eu leria até a lista de compra do John Green.
E seria muito feliz fazendo isso.
P.S.: O nome "A Culpa é das Estrelas" que me irritou tanto no início, é uma referência a uma passagem de Júlio César:
“A culpa, querido Brutus, não é de nossas estrelas, mas de nós mesmos.”
(Sorry Shakespeare, mas às vezes a culpa é sim das estrelas. John Green provou isso).