sábado, 13 de fevereiro de 2016

Not Another Happy Ending - Ou Como Ver a Amy Pond Como Escritora Me Faz Muito Feliz


Já faz um tempo (mas bastante tempo mesmo) que eu descobri um filme com a Karen Gillan, a.k.a. Amy Pond do melhor seriado de todos, a.k.a. Doctor Who, e resolvi fazer download dele para um momento sombrio e solitário que pedisse por um bom filme. Eis que uns dias atrás faltou luz na minha casa e o derradeiro momento chegou.

Sem-tantos-spoilers-assim: o filme, "Not Another Happy Ending", conta a história de uma escritora chamada Jane Lockhart (interpretada pela Karen Gillan) que finalmente, depois de muitas recusas (e um quadro da dor!) consegue uma editora para publicar seu primeiro romance.

O editor que acredita no livro dela, passa a ajudá-la a revisar toda e história e até aí
é tudo muito bom e bonitinho com música de fundo animada e tal. Mas ele comete o pecado mortal de mudar o título do livro dela e Jane decide odiá-lo por toda a eternidade. E a partir daí: tã-dã! As coisas começam a acontecer.

Porque o livro de Jane é um sucesso. Ela começa a namorar um roteirista famoso. Volta a se relacionar com seu pai. Jane está feliz! Mas quando Jane está feliz ela não consegue escrever. Assim, o editor dela decide fazer a vida dela voltar a ser miserável - única maneira para ela terminar de escrever seu segundo romance.

Tanto as tentativas de Jane para terminar com seu bloqueio e voltar a escrever - quanto as tentativas de seu editor de fazerem sua vida voltar a ser triste, são hilárias. Vale desde estragar a plantinha dela até conversar no banheiro com o protagonista fictício do próximo livro de Jane. Ainda sobra espaço para humor negro. Para um francês furioso xingando em francês - como se fosse possível dizer algo ruim, em uma língua tão bonita! E para um final bem clichê, mas fofinho.

Enfim. Eu adorei o filme, ainda mais para um momento de desespero do tipo "estou-sem-luz-ventilador-e-internet-em-casa". É bem engraçado, a trilha sonora também é bonitinha e as roupas da personagem principal são super engraçadas. Mas, confesso que voltar a ver a Amy Pond (mesmo sabendo que não era a Amy Pond!) e, mais do que isso, ver ela em um papel legal como o de uma escritora foi muito, muito divertido. Metade dos pontos do filme por isso!

Assim como Stuck in Love (do qual eu escrevi no outro dia a respeito), é um filme engraçadinho e legal de assistir em uma tarde nas férias - mas é ainda mais legal (tipo triplamente melhor) se você também quer ser um escritor - ou tem um gosto especial por comédias românticas bonitinhas e um tanto inusitadas. 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Aos Verdadeiros Egoístas: Minha Inveja

Um dos momentos mais marcantes da minha infância aconteceu dentro de um ônibus, indo para a casa da minha avó. Eu estava lá, sentada bem feliz, perto da parada do 25 de Julho, quando uma mulher entrou e eu pensei:

Ela também está viva. Ela também tem uma casa. Uma família. Talvez um cachorro. Ela também viveu ontem. E antes de ontem. E antes do antes de antes. Ela viveu até mesmo antes de mim.

Isso arrasou com toda a concepção do mundo que eu tinha até aquele momento. Até então tudo tinha girado em torno do Mundo Mágico de Bibiana. Mas ali, naquele instante, reconhecendo que aquela pessoa totalmente desconhecida também estava viva, que ela também tinha todas essas coisas dentro de si, que ela também tinha seus pensamentos e seu mundo e que era eu nada mais do que uma figurante desapercebida no plano de fundo de sua vida. Naquele momento eu me perdi para sempre de quem eu era ou poderia vir a ser.

Eu tenho uma inveja relutante das pessoas que são capazes de viver suas vidas sem nunca se darem conta do universo que as cerca. Eu tenho uma inveja das maiores do mundo dessas pessoas que andam na rua sem olhar para os lados, como se soubessem exatamente onde estão, o que querem e como vão pegar isso. E não sobra uma vírgula para qualquer outro ser. Elas vão, fazem o que querem e saem andando de volta as suas vidas, sem se preocuparem com os danos colaterais. Como eu tenho inveja dos verdadeiras egoístas!

Porque um verdadeiro egoísta consegue excluir todas as incógnitas de sua equação. Não existe espaço para culpa na mente de um verdadeiro egoísta, pois ele sempre estará preocupado demais com sua vida, com suas possibilidades, com seu bem estar, para sequer lembrar da existência das outras pessoas do universo. E um egoísta não faz nada por maldade. Ele simplesmente responde apenas ao seu próprio bem.

Eu tenho inveja dos verdadeiros egoístas, sim. Mas eu já não tento imitá-los. Eu perdi essa chance ainda na infância, quando sem querer me dei conta do mundo a minha volta. Notei o resto do Universo e perdi para sempre minha chance de verdadeira paz nessa vida. Olhei para os lados em um mundo onde eu deveria apenas olhar para frente. E desde então o que eu sinto não se traduz em letras, não se conta em palavras.

Porque cada uma das vezes que eu fui egoísta. Cada maldade minha. Cada pequeno e grande ato de algo ruim que eu fiz aos outros, me persegue. Meus pecados me perseguem noite e dia. E eu fecho os olhos e sinto que deveria estar sendo punida. E eu abro os olhos e não vejo uma pessoa boa no espelho do banheiro. E isso me perturba. E isso me persegue. E a minha inveja apenas cresce.

Como eu tenho inveja do sono fácil dos verdadeiros egoístas!

Meu Dragão Reinaldo

Uma vez eu tive um dragão chamado Reinaldo. E como eu gostava de Reinaldo!

Ele apareceu no meu jardim em uma quinta-feira pela manhã, sem nenhum aviso prévio, mãe ou endereço de devolução. Só aquela criaturinha, ainda tão pequena e frágil, na porta da minha casa, estragando a grama do jardim. Fiz o que precisava fazer e a partir daquele dia comecei a cuidar de Reinaldo.

Tinha olhos grandes, meu dragão (pois o tomei logo, possessivamente, como meu). Era inverno e ele se enrolava em meus pés para dormir. Gostava que eu enchesse a banheira, onde ele mais brincava do que se banhava. Reinaldo me seguia onde eu fosse. Reinaldo olhava filmes comigo. Reinaldo sentava ao meu lado a cada refeição, sua cabeça em meu colo, seus grandes olhos fechados e todo seu ser emanando satisfação.

Como eu gostava de Reinaldo!

Reinaldo cresceu rápido. Seu quarto logo já era assunto de discussão e precisamos invertê-lo com o meu. Reinaldo já não dormia comigo, mas tinha tomado minha cama de casal apenas para si. Reinaldo escolhia seus próprios filmes e eu fui relegado a pequena e antiga TV do menor dos quartos. Reinaldo passou a sair todas as noites e meus jantares eram solitários e escuros.

Mas como eu ainda gostava de Reinaldo!

E o pior ainda estava por vir.

Pois Reinaldo agora entendia o afeto que eu lhe tinha. Reinaldo sabia que eu nunca o machucaria. Reinaldo sabia o quanto eu o amava. Mas Reinaldo era mau. Reinaldo entendeu seu poder e passou a abusar dele. Reinaldo queimava meus pertences. Mordia meus sapatos. Destruia meu sofá. Reinaldo quebrava as cadeiras. Reclamava do espaço. Reinaldo reclamava de mim.

E apesar de tudo, como eu gostava de Reinaldo!

Não sei porquê. E tampouco creio que ele soubesse. Talvez naquele primeiro olhar que lancei a criatura nova em meu jardim, eu já tenha lhe entregado meu afeto. Talvez seus olhos grandes tenham me conquistado naqueles primeiros meses bons. Talvez eu simplesmente gostasse tanto de Reinaldo. Gostasse dele. Independente de sua maldade e do mau que ele me afligia. Eu gostava de Reinaldo. O conjunto inteiro do dragão que um dia deitara sua cabeça em meu colo e em outro arranhou minhas pernas e braços até me fazer chorar. Eu gostava dele.

Mas mesmo sabendo que eu nunca lhe negaria nada e que meu amor nunca chegaria ao fim, Reinaldo logo se entendiou de nossa vida em minha pequena casa com um jardim. Reinaldo fez suas malas e se foi, sem aviso prévio, sem endereço para cartas, sem um obrigada por tudo que eu lhe tinha feito. E me disseram que eu finalmente deveria ser feliz, pois me livrara do maior mal de minha vida.

Pouco sabiam eles: nada que Reinaldo fez me afligiu tanto como a angústia de sua partida. Porque mesmo ao fim de tudo, como eu ainda gostava dele!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Magnus Chase - Ou como o Tio Rick é Demais!



Eu ainda me lembro do dia que comprei "O Ladrão de Raios" na livraria do shopping, meio curiosa, meio animada, não sabendo muito da história além de que falava de mitologia grega nos dias atuais. Desde lá, mais de cinco anos se passaram. "Percy Jackson e os Olimpianos" chegou ao fim, com o final mais épico do século XXI. Os romanos apareceram com o Jason Grace, em "Heróis do Olimpo". No meio disso tudo, apareceram uns egípcios também. Mais um monte de livros extras. E, finalmente, agora o glorioso Tio Rick visitou a mitologia nórdica.

E a verdade é essa: são livros bobinhos. São livros muito bobinhos. São cheio das piadas mais infames, dos personagens mais sem noção, dos enredos mais sem pé nem cabeça. Mas a verdade? Eu adoro que seja assim. Eu adoro pensar em um Poseidon com uma camiseta havaina. Eu amo um Hermes Hi-Tech. Eu morro de rir com o Octavian sacrificando ursinhos de pelúcia para ler o futuro. Que seja bobo, bobo de verdade mesmo! Às vezes eu tenho a forte impressão que a gente se leva a sério demais mesmo. 


Dito isso, fique claro que "Magnus Chase" é incrível. O início dos "Heróis do Olimpo" não me animou tanto. Esse novo livro, "A Espada do Verão" me lembrou muito do primeiro - do "Ladrão de Raios". É bom ter um personagem central e conseguir acompanhar ele (nada tão contra múltiplos pontos de vista, o ruim é que alguns personagens às vezes vão sumindo, nesses casos). E o próprio Magnus é demais; ele assiste Doctor Who, se parece com o Kurt Cobain e lida extraordinariamente bem eventos de vida ou morte (principalmente morte!). 

A história já começa extremamente bem, com o Magnus morrendo. E nem é spoiler de verdade, porque ele conta isso na primeira página! A partir dai, as coisas ficam cada vez mais interessantes. Elfos e anões se revelam. Valquírias aparecem. Os segredos da família do Magnus vão sendo decifrados, E, o mais legal: a ação nunca para. Os capítulos se passam de uma luta mortal para uma batalha mortal para uma fuga impossível para mais uma reviravolta para mais uma luta e assim vai até você nem conseguir mais respirar direito, de tanto prender o fôlego. Ufa! 

Mas a ação é daquele jeito a la Rick Riordan mesmo: lutas com brinquedos de plástico, patos de ouro sem utilidade nenhuma, meleca de gigante melecando os personagens. Às vezes eu acho que ele escreve com o seguinte princípio: nunca, jamais e sobre hipótese nenhuma perca a chance de fazer uma piada. 

Por outro lado, assim como era forte em "O Ladrão de Raios" a relação entre o Magnus Chase e a mãe dele é muito importante na história. Durante todos os livros do Tio Rick, na verdade, a importância da família é um assunto recorrente. E por trás de todo o humor e alegria e aventura, o livro vai fazendo grandes críticas a nossa sociedade atual, desde uma comparação com o mundo dos Elfos, onde atualmente ninguém mais faz magia ou qualquer coisa de bom - só assistem televisão - até pequenas alfinetadas sobre a vida dos sem teto. Dessa forma, a história continua sendo leve e divertida, mas também dá uns tantos para se pensar depois de terminar a leitura.

O melhor de "Magnus Chase" ainda fica para o final. Depois de uma história magnífica e divertida, você está pronto para fechar o livro e ir pesquisar sobre quando o próximo será lançado. Mas então: taaa-dãã! E a reviravolta final é feita. E agora você precisa reler todo o livro de novo, para entender mesmo a história. Mas a parte boa? Vale muito a pena, ler tudo quantas vezes for - e mais uma vez, só para rir ainda mais das piadas.


P.S.: Não é preciso ter lido as séries anteriores para entender a história, mas tem alguns easter eggs que são um verdadeiro presente para os fãs de carteirinha. 


P.S. 2.: Se você, como eu, não conhecia muito da mitologia nórdica, um bom complemento é a leitura de "As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica e o Anel de Nibelungos". 


É um livro mais-ou-menos rápido de ler, com vários contos da mitologia nórdica - que explicam desde a criação do mundo até os últimos dias do mesmo. As histórias são todas muito engraçadas também e as inspirações do Tio Rick se tornam claras em algumas das histórias. E o Thor e o Loki são hilários!

Além disso, a metade final do livro é uma versão romantizada de "O Anel de Nibelungos". A história em si é interessante e divertida, mas, principalmente, é possível perceber em tantos e tantos momentos de onde o Tolkien buscou suas ideias para "O Senhor dos Anéis" - basicamente, a bíblia dos livros de literatura fantástica.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Mariana

Ainda me lembro da primeira vez que eu a vi.

O pai trazia-lhe pela mão e me apresentou à ela, apesar de não ter imaginado ser preciso também apresentá-la à mim. Mas a isto eu estava habituado. Também estava acostumado ao que viria a seguir. O olhar temeroso e fascinado ou talvez o descaso calculado, daqueles que nunca querem se deixar impressionar. Talvez medo. Talvez curiosidade. Tantas pessoas, tantas reações, mas dificilmente alguma novidade.

A verdade, entretanto, era que ela era muito nova e eu muito velho. O que significava que eu achava que muito sabia, mas que ela sabia melhor. E foi o que aconteceu, pois eu não estava preparado para aquele olhar. Um olhar que me perseguiu por anos, pois eu ainda me lembro de todas as vezes que a vi.

Me lembro de sua meninice, de observá-la brincar e correr à minha frente, algumas vezes até me incluindo em suas brincadeiras. Mas eu era forte e temperamental, então seus pais sempre vinham junto, a protegê-la. Me recordo de seus primeiros passos como uma moça, seu andar mais equilibrado, seus cabelos mais longos, seus sorrisos mais difíceis de serem conquistados. E me lembro de quando ela veio acompanhada.

A dor. A raiva. A vontade de arrancá-la daqueles braços mais cálidos dos que os meus. A verdade é que eu já a amava. A amava desde a primeira vez que vi seus olhos mais escuros que a noite, que não refletiam minha imagem: a absorviam. Como se ela tivesse me pego pelas pontas, dobrado em pequenas partes e escondido dentro do bolso de seu casaco amarelo.

E eu, que era tão orgulhoso da minha própria magnitude, me senti pequeno. E eu, tão conhecido por nunca me conter, me senti acanhado. Me senti atrapalhado. Me senti tão pequeno quanto um dos grãos de areia que se estendiam abaixo de mim. O que era insano e inacreditável, mas que era o que acontecia, todas as vezes que ela me olhava. Quando seus olhos de pedaços da noite se lançavam sobre mim. Me intimidavam. Me mudavam.

Tantos vieram na companhia dela e tantas vezes ela veio até mim, sozinha. Mas em todas as vezes, eu me surpreendia. Faltava em seus olhos o assombro, que eu esperava, o medo, o mínimo respeito e temeridade. Ela era, desde tão pequena, tão cheia de vida e de certezas e tão dona de si mesmo, que ela nunca me olhou assim. Como todos os outros me olhavam.

Contudo, ela vinha e me deixava e eu nunca pude acompanhá-la para além do meu lugar. E com o tempo, porque as coisas são assim, vi seu olhar começar a quebrar. Sua coluna vacilar. Eu vi a vida, a dura vida que o mundo impõe a alguns, começar a apagar seu brilho.

Não pude vê-la daquela forma. Então, quando ela veio até mim, seu olhar vacilante, seus cabelos já tingidos pelo tempo, eu me lembrei de seu primeiro olhar e a chamei para mais perto e a puxei para meus braços gélidos. Ela não tentou resistir.

Seus olhos de meia-noite vieram cada vez mais para dentro dos meus confins, as ondas cada vez mais altas, minha vontade de abraçá-la cada vez mais forte, a água salgada lavando a alma da menina que eu nunca esquecerei.

Até que eu a afundei em minhas águas e a afoguei dentro de mim.

Stuck in Love - Sobre Amor, Livros e as Estranhas Relações Entre as Pessoas


A primeira vez que eu me deparei com "Stuck in Love" foi através de uma publicação sobre sua trilha sonora, no Tumblr. O que, na verdade, eu achei um ótimo sinal porque: 1. eu amo o Tumblr e 2. eu adoro filmes com uma boa trilha sonora. Então, basicamente, eu já estava bem esperançosa bem antes de ver o trailer.

Mas então eu assisti ao trailer.

E, poxa, minha vida tinha um novo objetivo: eu precisava ver esse filme. Porque todas as pontas se encaixavam, na minha mente, e ali estava um filme com alguns dos meus atores preferidos (verdade seja dita: eu não resisto ao bonitinho do Logan Lerman), aparentemente engraçado, com aquela pitadinha de drama indispensável, mas, principalmente, um filme sobre escritores.

Foi quase como se tivessem feito um filme especialmente para mim. Nos meus momentos mais egocêntricos, parece uma teoria quase plausível.

Mas, é claro, é fato conhecido que na República dos Trailers muitos milagres são realizados e não seria a primeira vez que um trailer interessante poderia professar duas horas de dor e indigestão para o telespectador. Então tentei manter a calma e fui assistir ao filme.

E já na primeira cena todas as minhas dúvidas foram sanadas. Os primeiros instantes do filme apresentam um por um os personagens do trio principal, que compõem a história: uma família vagamente disfuncional (como todas as famílias, na verdade). 


Tudo começa com o Nat Wolff (que todo mundo está cansado de conhecer, depois das adaptações dos livros do John Green) com a incrível frase: "I remember that it hurt. Looking at her hurt."

No próximo instante, a história muda abruptamente para Lily Collins, com um discurso todo filosófico e cheio de significado, que de repente se transforma numa afirmação direta para o garoto desinteressado à sua frente: "We both want the same thing, to go back to your room, have sex, and never see each other again. Are you with me?". Alguma dúvida da resposta dele?

E, por fim, lá está Greg Kinnear, fechando as apresentações, com sua tentativa patética (mas hilária) de espionar sua ex-esposa.


Depois disso, vem uma cena animada (e com uma trilha sonora incrível!) mostrando como esses três personagens tão diferentes se relacionam. E, a partir dai, você começa a se envolver na história dessa família e entender melhor as coisas que os ligam (como os livros, a vontade de serem escritores, a necessidade de escreverem e, é claro, o amor) e as coisas que os separam (como o medo, os ressentimentos, a raiva). 

E, como a cereja desse bolo gigantesco, o filme ganha mil pontos comigo por falar (e muito!) sobre os livros e sobre o que é ser um escritor. Desde conselhos radicais de um pai escritor para um filho que busca a mesma carreira, até um discurso magnífico já para o final, sobre essa coisa louca e apaixonante que é escrever. Me parece um filme indispensável para quem está também nesse mesmo barco furado, precisando muito escrever, querendo muito — mas nem sempre encontrando o caminho tortuoso rumo a realização.


Mas, também, o filme é incrível por criar tão bem relações tão diferentes entre os personagens. Desde um amor de High School até uma relação longa de um casamento cheio de percalços. A relação entre um pai e seus filhos. Entre irmãos. É um filme sobre amor, sobre todos os tipos de amor. E também é um filme que mostra bem como o amor pode e muda sim a vida das pessoas. E que, por mais que a gente tente, é impossível escapar para sempre dele. Afinal, estamos todos a certo ponto "Stuck in Love".