Confesso que, até ano passado pelo menos, não era lá muito ligado ao cinema. Talvez o preço por ter sido desde sempre uma viciada em livros tenha sido me fechar um pouco para o resto, principalmente para o cinema, que me causava náuseas com suas adaptações de livros. Na verdade, as adaptações dos livros ainda me causam náuseas, ver "Relíquias da Morte: parte dois" foi um martírio; aquela corrida de Anne Elliott no fim do filme me faz ter pesadelos; e ainda não entendo porque o Peter Jackson simplesmente consumiu com o Tom Bombadil. Adaptações de livros a parte, o cinema nunca tinha chamado muito minha atenção. Talvez Sessões da Tarde e Cinemas em Casa tenham ajudado a esse meu desinteresse. Claro, eu nunca tive um ódio incomensurável do cinema, mas eram exceções os bons filmes: "Quem Quer Ser um Milionário", "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", "Goodbye Lênin"... Contudo, entretanto, todavia, o cinema não é feito só de filmes canastrões e comerciais. Oh não. Ainda há vida inteligente na sétima arte!
E foi, meio sem querer, que o cinema me encontrou.
E foi, meio sem querer, que o cinema me encontrou.
Também foi meio sem querer eu vi algumas fotos da Anna Karina. Essa ai da foto de cima, mesmo. Foi fascínio a primeira vista, se é que vocês me entendem. Ela tem essa coisa no olhar, todo esse sentimento, inteligência e além de tudo é linda. Eu a adorei mesmo antes de saber qualquer coisa a seu respeito, ela poderia ter sido uma assassina em série e ainda sim eu a adoraria. E então, só pela curiosidade, acabei vendo um filme com a tal Anna Karina: "Pierrot Le Fou", que em português tem o (péssimo) nome "O Demônio das Onze Horas". E que, por uma peripécia do destino, foi dirigido por Jean-Luc Godard. E eu, que não tinha nem ideia de quem ele era, acabei quase tendo um AVC na frente do computador assistindo ao filme. Porque "Pierrot Le Fou" é nada menos do que espetacular, genial, incrível, superlativamente estupendo. E então, mesmo sem perceber, estava começando a perceber porque afinal o cinema é chamado de arte.
Sendo assim, acredito que devo tudo que sou a Anna Karina. UASHUASHUASHHSA.
Ok, talvez não seja para tanto, mas realmente o cinema mudou minha vida, mudou minha visão do mundo e muitas opiniões que eu tinha. Acho mais do que justo escrever sobre ela então, que de mais de uma maneira me inspira. Vou deixar de tema de casa para vocês pesquisarem sobre a vida dela, e até vale a pena porque é superinteressante: ela nasceu na Dinamarca, cantou em cabarés, foi para Paris, foi descoberta pela Chanel, foi descoberta pelo dear Jean Luc Godard, tornou-se a musa dele, casou-se com ele, se transformou na principal atriz da Nouvelle de Vague... É amigo, nossas vidas são um tédio mesmo.
Vou confessar mais uma coisa pra vocês, eu sou totalmente fascinada pelo rosto dela. Tem essa mesma fofura que o da Audrey Hepburn, mas também é um rosto de uma mulher decidida, independente... É tão como eu gostaria de ser. É, acho que se eu pudesse escolher alguém para ser seria a Anna Karina.
Outra coisa que eu acho incrivelmente incrível é ela ter sido a musa do Godard. Acho que ela é fundamental nos filmes dele, porque ele fazia os papéis para a Anna, o filme para ela. Vocês entendem a diferença, não a escolhiam para o papel, ele já tinha sido feito pensando nela. O resultado é maravilhoso, é só olhar "Une femme est une femme" para notar. (Acho que em português o título é "Uma Mulher é uma Mulher", que perde muito a graça, já que o original é um trocadilho: escreve-se "Uma mulher é uma mulher", mas a pronúncia é "Uma mulher é infame").
Eu quero ser mais como a Anna Karina, mais como a Marianne de Renoir em Pierrot Le Fou. Eu quero viver! Sem pensar demais, sem me preocupar demais, sem ter que racionalizar tudo. Apenas viver, rir do que é engraçado e apreciar o que é bonito. Isso não é muito sensato, eu sei, mas parece a melhor escolha. É como diz Dostoievski, um instante de felicidade, que seja, faz tudo valer a pena. E eu acho que faz mesmo.
Tem mais um monte de coisas que eu gostaria de dizer, mas acho que fugiria muito do assunto. Não pretendo fazer uma biografia da Anna Karina, e quero falar de cada uma dos filmes em um post diferente, acredito que só "Pierrot Le Fou" já renderia páginas e páginas, mas sempre que tendo escrever as palavras me faltam. Queria falar sobre Godard também, esse carinha pelo qual eu me apaixonei a primeira vista, e talvez até sobre Bertolucci. Mas não quero ficar prometendo posts aqui, principalmente quando faz séculos que eu vou dizendo pra mim mesma "amanhã eu escrevo...". A arte de procrastinar.
Deixei de lado essa vida de revisar os textos, sintam-se a vontade para considerarem qualquer erro uma licença poética. E quando não tiverem nada para fazer sugiro que assistam "Pierrot Le Fou", que eu considero um dos melhores filmes ever e acredito que todo mundo deveria assistir. Essas minhas crenças utópicas. And that's it. Fico por aqui, abraço pra vocês!
