quarta-feira, 14 de março de 2012

KARINA!

Confesso que, até ano passado pelo menos, não era lá muito ligado ao cinema. Talvez o preço por ter sido desde sempre uma viciada em livros tenha sido me fechar um pouco para o resto, principalmente para o cinema, que me causava náuseas com suas adaptações de livros. Na verdade, as adaptações dos livros ainda me causam náuseas, ver "Relíquias da Morte: parte dois" foi um martírio; aquela corrida de Anne Elliott no fim do filme me faz ter pesadelos; e ainda não entendo porque o Peter Jackson simplesmente consumiu com o Tom Bombadil. Adaptações de livros a parte, o cinema nunca tinha chamado muito minha atenção. Talvez Sessões da Tarde e Cinemas em Casa tenham ajudado a esse meu desinteresse.  Claro, eu nunca tive um ódio incomensurável do cinema, mas eram exceções os bons filmes: "Quem Quer Ser um Milionário", "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", "Goodbye Lênin"... Contudo, entretanto, todavia, o cinema não é feito só de filmes canastrões e comerciais. Oh não. Ainda há vida inteligente na sétima arte!
E foi, meio sem querer, que o cinema me encontrou.



Também foi meio sem querer eu vi algumas fotos da Anna Karina. Essa ai da foto de cima, mesmo. Foi fascínio a primeira vista, se é que vocês me entendem. Ela tem essa coisa no olhar, todo esse sentimento, inteligência e além de tudo é linda. Eu a adorei mesmo antes de saber qualquer coisa a seu respeito, ela poderia ter sido uma assassina em série e ainda sim eu a adoraria. E então, só pela curiosidade, acabei vendo um filme com a tal Anna Karina: "Pierrot Le Fou", que em português tem o (péssimo) nome "O Demônio das Onze Horas". E que, por uma peripécia do destino, foi dirigido por Jean-Luc Godard. E eu, que não tinha nem ideia de quem ele era, acabei quase tendo um AVC na frente do computador assistindo ao filme. Porque "Pierrot Le Fou" é nada menos do que espetacular, genial, incrível, superlativamente estupendo. E então, mesmo sem perceber, estava começando a perceber porque afinal o cinema é chamado de arte. 

Sendo assim, acredito que devo tudo que sou a Anna Karina. UASHUASHUASHHSA.

Ok, talvez não seja para tanto, mas realmente o cinema mudou minha vida, mudou minha visão do mundo e muitas opiniões que eu tinha. Acho mais do que justo escrever sobre ela então, que de mais de uma maneira me inspira. Vou deixar de tema de casa para vocês pesquisarem sobre a vida dela, e até vale a pena porque é superinteressante: ela nasceu na Dinamarca, cantou em cabarés, foi para Paris, foi descoberta pela Chanel, foi descoberta pelo dear Jean Luc Godard, tornou-se a musa dele, casou-se com ele, se transformou na principal atriz da Nouvelle de Vague... É amigo, nossas vidas são um tédio mesmo. 
Vou confessar mais uma coisa pra vocês, eu sou totalmente fascinada pelo rosto dela. Tem essa mesma fofura que o da Audrey Hepburn, mas também é um rosto de uma mulher decidida, independente... É tão como eu gostaria de ser. É, acho que se eu pudesse escolher alguém para ser seria a Anna Karina. 
Outra coisa que eu acho incrivelmente incrível é ela ter sido a musa do Godard. Acho que ela é fundamental nos filmes dele, porque ele fazia os papéis para a Anna, o filme para ela. Vocês entendem a diferença, não a escolhiam para o papel, ele já tinha sido feito pensando nela. O resultado é maravilhoso, é só olhar "Une femme est une femme" para notar. (Acho que em português o título é "Uma Mulher é uma Mulher", que perde muito a graça, já que o original é um trocadilho: escreve-se "Uma mulher é uma mulher", mas a pronúncia é "Uma mulher é infame").

Eu quero ser mais como a Anna Karina, mais como a Marianne de Renoir em Pierrot Le Fou. Eu quero viver! Sem pensar demais, sem me preocupar demais, sem ter que racionalizar tudo. Apenas viver, rir do que é engraçado e apreciar o que é bonito. Isso não é muito sensato, eu sei, mas parece a melhor escolha. É como diz Dostoievski, um instante de felicidade, que seja, faz tudo valer a pena. E eu acho que faz mesmo. 
Tem mais um monte de coisas que eu gostaria de dizer, mas acho que fugiria muito do assunto. Não pretendo fazer uma biografia da Anna Karina, e quero falar de cada uma dos filmes em um post diferente, acredito que só "Pierrot Le Fou" já renderia páginas e páginas, mas sempre que tendo escrever as palavras me faltam. Queria falar sobre Godard também, esse carinha pelo qual eu me apaixonei a primeira vista, e talvez até sobre Bertolucci. Mas não quero ficar prometendo posts aqui, principalmente quando faz séculos que eu vou dizendo pra mim mesma "amanhã eu escrevo...". A arte de procrastinar. 

Deixei de lado essa vida de revisar os textos, sintam-se a vontade para considerarem qualquer erro uma licença poética. E quando não tiverem nada para fazer sugiro que assistam "Pierrot Le Fou", que eu considero um dos melhores filmes ever e acredito que todo mundo deveria assistir. Essas minhas crenças utópicas. And that's it. Fico por aqui, abraço pra vocês!

terça-feira, 13 de março de 2012

Ob-La-Di, Ob-La-Da

Acho que eu só tenho inspiração para escrever aqui quando estou triste. Meio deprimente, não? Seja como for, faz séculos que não escrevo aqui por nada, hoje bateu a culpa e cá estou. Esse lindo ano da graça de 2012, que até o momento está terrivelmente quente, está se mostrando um ótimo ano, estou até me surpreendo comigo mesma. Comecei a entender de verdade umas coisas meio bobas, mas acredito que são importantes. Como essa história de ser você mesmo, o que é afinal ser si mesmo? Nós conseguimos ser outra coisa que não nós mesmos? Acho que esse ano estou sendo eu mesma, ao menos o mais próxima disso que eu consigo, e querem saber, imagino que isso influencia diretamente minha felicidade. Me sinto meio estúpida quando penso no passado, penso em tudo que fiz que era mais para os outros do que para mim. Essa mania de fazer tudo já pensando o que os outros pensarão. Apresento para vocês uma palavra mágica, que resolve todos os problemas: "DANE-SE". Quase pintei na parede do meu quarto. Mentira, mas enfim. O ponto é: danem-se os outros, se não faz mal pra ninguém mesmo. Entendo que possa parecer estranho que eu me sinta mais feliz lendo um livro do que conversando, vendo um filme do que indo a uma festa, essas pequenas coisinhas, mas poxa vida, se é isso que me faz feliz porque eu não deveria fazer? É tão pouco racional deixar de fazer algo que te faz feliz só porque os outros acham estranho. Ei, a pessoa mais importante da minha vida sou eu. Não é narcisismo, é realismo. (Ok, talvez seja um pouco de narcisismo também).

Então, basicamente, não estou escrevendo muito aqui porque estou contente. DEPRIMENTE!

Agora que estou deprimida posso continuar escrevendo.

Pois então, em meio ao ritmo de férias: ler, ler, ler, ler, ver um filme, ler, ler, ler, ver outro filme, ... acabei me inspirando a voltar a escrever histórias. Foi uma luz que veio do nada e uma voz disse "volte a escrever, Bibiana!" e então eu ouvi os anjos cantando e não. Na verdade eu reli "Orgulho e Preconceito" (olhinhos brilhando, coraçõezinhos pro Darcy e um altar para Elizabeth) e, como sempre, achei o livro curto demais. Entrei de vez no mundo Janeaustíaco e vi a série que a BBC fez do livro e ahhhhh! é lindo. Tudo é lindo, principalmente o Colin Firth, que eu elegi o único homem do mundo que faria eu me casar (com ele, óbvio, e no mínimo se ele tivesse uns trinta anos a menos. Nada que uma máquina do tempo não ajude). E depois de ler o livro, ver o filme e a série eu me senti meio perdida. Obsessiva como sou me embrenhei no mundo sombrio das fanfics. É complicado, tem umas que são de doer mesmo. Mas tem muita coisa aproveitável, e eu nunca vou me cansar de ver a Lizzy se apaixonando pelo Darcy. É muita perfeição. 

(Quando penso que a Jane Austen criou homens como Darcy, Tilney e Knightley entendo porque ela morreu solteira.)

E lendo fanfics e mais fanfics (foram muitas, mesmo mesmo) acabei lembrando das minhas fics e fui lá no Nyah atrás delas. Caso vocês não saibam eu escrevia histórias e tinha coragem de postá-las. Claro que devia era sentir vergonha, céus!, como eu escrevia mal. A cada cem páginas um paragrafo aproveitável, e o enredo então... de chorar! Como eu era boba. E como eu era pouco consciente de minhas bobices. Enfim, o mais surpreendente ainda eram os comentários, tipo, boas críticas. É muito louco pensar que pessoas desconhecidas liam e gostavam daquilo, mas quando tu pensa no sucesso de Crepúsculo não parece assim tão improvável. Anyway, minhas fics-tragédias-mexicanas de lado, aquilo me inspirou. Ver o quanto eu escrevia ruim me fez pensar que hoje escrevo bem. Não, sem esses elogios sem fundamento. Um grande problema de escrever para conhecidos é que tu nunca sabe se estão falando a verdade ou só querendo que você se sinta bem. Eu não escrevo com a metade do talento de que gostaria, eu leio Martin Page e Oscar Wilde e fico pensando que se escrevesse com um décimo do talento deles eu seria terrivelmente feliz, mas fazer o que né. Ler, ler, ler e escrever mais e mais. Voltando ao ponto, comecei a escrever uma história de verdade. Não é grande coisa, mas é tão legal escrever. Me sinto ótima. A única parte chata é quando estou na escola e me sento sozinha, ouvindo música e criando a história e meus colegas vem me incomodar. Na cabeça deles deve parecer uma boa ação, mas eles só sabem conversar coisas idiotas. 

Eu não quero parecer esnobe, nem me sinto superior a eles, mas nós gostamos de idiotices diferentes. Eu gosto de filmes franceses, sou apaixonada pela Nouvelle de Vague e eles só conhecem Jean Luc Godard de música do Legião. Eu fico pensando em "A Beleza Americana" e eles em "American Pie". Claro, possivelmente pelo outro lado da história eu que sou a alienígena, afinal nunca vi o próprio "American Pie" ou joguei um desses joguinhos em que eles vivem falando. Às vezes eu fico meio pra baixo ao pensar que não conheço ninguém que goste do que eu gosto, eu sei que vocês estão por ai... mas ninguém aqui, entendem? Eu não conheço ninguém da minha idade que goste dos mesmos livros e filmes que eu, e essas são as duas coisas que eu mais adoro no mundo. Eu me sinto distante até dos meus melhores amigos, é meio como se eu fosse o O'Brien e eles fossem Winston's. Eu eu fosse o Charles e eles Henrietta's, do John Fowle. Tudo isso é tão chato. Eu quero alguém com quem conversar, mas nem a bibliotecária tem muita paciência quando eu começo a falar sobre Sylvia Plath.  

Estão vendo? Eu não consigo escrever coisas felizes, sou amaldiçoada.

Maldições a parte, tem só uma coisa que está me incomodando esse ano: acho que odeio eletrônica. Não é que eu não entenda, eu só acho muito chato. Nunca estive tão totalmente desinteressada, e isso me dá um pouquinho de medo, principalmente quando penso que restam quase três anos dessa tortura. Acho uma droga, fico olhando as matérias de cursos como jornalismo, biblioteconomia, letras, e fico sonhando. Fico sonhando também com os anos sessenta e com a vida era, vou mais longe ainda e penso no século XIX, mas a falta de energia elétrica é um sério agravante. Eu tento não seguir muito esse caminho, pensar demais no futuro ou no passado, é meio aquela história do Meia-Noite em Paris, do tio Woody, nós temos que aprender a dar valor ao presente. O presente afinal é um presente. Desculpe, não resisto a um trocadilho infame.

E no fim até que eu consegui escrever alguma coisa, inacreditável mesmo. Não vou revisar, então sintam-se a vontade a reclamar dos milhares de erros de ortografia, concordância ou dos meus problemas mentais. Estou preguiçosa demais para pensar em ser perfeccionista. Estava pensando em escrever um pouco sobre filmes, mas sei lá. Então até daqui a pouco ou até nunca mais.