sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Um texto a ser escrito

Eu tenho um texto a ser escrito. Tenho a ideia na minha cabeça, as frases montadas girando em círculos tortos na minha imaginação e muitas imagens do que deve ser descrito. Eu tenho um texto a ser escrito e tempo para escrevê-lo. Mas nada nunca é tão fácil. 

Eu tenho um texto a ser escrito. Uma vida a viver. Bons livros a serem lidos.

Mas não, não faço nada disso.

Não agora.

Tenho muito a fazer e uma grande vontade de fazer nada. 

E o nada eu faço.

E como o nada é bom de se fazer!

domingo, 23 de dezembro de 2012

O gosto amargo das decepções

Decepções. As palavras criam asas e voam para um mundo desconhecido e com certeza melhor que o nosso. As palavras, na verdade, sempre foram o melhor refúgio para aqueles que desejam fugir deste mundo infinitamente problemático e catastrófico. Decepções. Os olhos, eternos sentimentais, se enchem de lágrimas. Quanto drama! O coração bate errado, descompassado, machucado. E que se dane a rima, o poeta e a poesia. E já não existem borboletas por dentro, e sim um vazio mortal, desesperador e doentio. Decepções. Nascem dos mais belos sonhos, daqueles com gostinho de tarde de verão. Pura enganação! São eles que criam as raízes perigosamente fundas que fazem com que doam tanto, as decepções. Enganam nosso sistema imunológico, mas são veneno puro. Os sonhos, as decepções. Dois lados da mesma moeda. Decepções. Que fazem tudo perder o brilho, que estragam o mais bonito dos dias, que matam de dentro para fora. De que adianta culpar os outros? As decepções são nossas e só a nós pertencem. São os frutos estragados da nossa imaginação. E apenas nós somos responsáveis por elas. Apenas nós. Ah, as decepções...