sábado, 18 de maio de 2013

Meio vaga, meio boba. Meio eu, meio ela. Meio assim.

Cabelo desgrenhado. Cara inchada. Vontade de acordar, não. Deve ser de manhã. Meu pijama de inverno é de moletom. Bom mesmo se tudo fosse que nem ele. Macio. Confortável. Quentinho. Que nem o abraço, que eu não pedi. Que nem o sorriso, que eu ganhei. Estranho sentir-se assim. Saber-se inteiro e, mesmo assim, querer conquistar mais uma metade. Bom é mesmo, sentir-se assim, rindo por nada, sorrindo por tudo. 

Tropeço nas palavras, ando vagarosamente pelo dia. O sol quentinho que nem o moletom. Bom mesmo se tudo fosse que nem ele, assim, que nos dá vontade de ficar com ele e nada mais. Só o moletom. E a gente. E os sorrisos. E o sol da tarde. 

Às vezes é fácil demais perceber porque alguns acham o mundo terrível. Prefiro os dias em que é difícil. Prefiro os dias em que tudo parece bom demais para ser verdade. E nem me importo que eles sejam um tanto quanto raros, isso também os torna mais especiais. Mais bonitos. Mais perfeitos em sua própria imperfeição. 

Pareço menina de oito anos depois de ganhar roupa nova. Talvez seja. Me vesti de outra, já não sou eu. Me pergunto há quanto tempo me deixei pra trás, talvez só ontem. Não parece. Talvez essa outra eu já andasse se esgueirando por mim há tempos. Talvez sorrateiramente estivesse tentando entrar pelas pontas. Não importa. Aceito ela. Gosto dela. Deixo ela entrar pela porta da frente, peço que fique.

Quem sabe seja meio idiota, essa outra menina que tem o espírito mais leve que o meu. Talvez seja idiota por ainda acreditar em tanta coisa. Acredita na gentileza, na boa educação, na bondade do ser humano. Ela pode ser sarcástica, mas não é cínica. Realmente acredita nos outros, nas palavras bonitas, rimadas, rabiscadas. Acredita nas promessas contidas em canções bobas. Acredita, ainda, naquele tal de amor.

Mas também da idiotice dela eu gosto. Tem algo de bonito essa ingenuidade disfarçada em sorrisos tímidos de quinta de manhã. É como vento novo em dia de verão. É como brisa quentinha em dia de outono. É como moletom. Confortável, macio, tão fácil de se gostar.

Faço círculos pelo texto, paro antes de começar, começo antes de terminar. Ando vagarosamente pela terra de sonhos que se esconde atrás das minhas pálpebras. Talvez seja um erro se deixar levar assim.

Mas, caso seja, tudo bem. Às vezes é especialmente bom, errar.

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Um pensamento bonito:

"Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, à noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas."