Seis horas. Seis e um. Seis e dois. O despertador não cessa, a música não importa, o que eu quero mesmo é poder esquecer do mundo e voltar a dormir. Dormir mais, sempre mais, só mais cinco minutos, por favor? Mas não durmo. Não. Levanto. Tomo banho. O ritual inteiro, mais uma vez.
Queria ter te dado um sorriso de verdade, mas ele me faltou. Saiu uma careta, meio atravessada, meio de sinto muito, meio envergonhada. Não sei se tu notou. Acho que sim, mas preferiu passar reto. Eu te entendo. Também passaria.
Pensei mil vezes no que seria certo escrever aqui, pensei mil vezes no que seria errado. Ainda não sei. Mas se escrevo, entenda, é porque preciso. Difícil sou eu usar uma palavra como "entenda" numa hora dessas, de uma ironia pra lá do humor negro. Difícil eu pensar que estou escrevendo um texto desses. Que estamos vivendo uma coisa dessas.
É engraçado como algumas coisas vem do nada. É engraçado como alguns sentimentos nos alcançam tão rápido. Não é nem um pouco engraçado como eles nos abandonam, então, assim, sem mais nem menos. Eu não vou falar de justiça, porque eu não acredito nisso. Quando foi dito que o mundo é justo? Não foi, nunca foi, nunca será. A justiça quem criou fomos nós, só para sermos contraditos. Acontece, eu imagino, acontece.
Tanta coisa que acontece.
Como a gente continuar cometendo os mesmos erros bobos de sempre, over and over again. Como a gente imaginar que conhece as pessoas. Que os outros nos conhecem. Dai vem o mundo e nos lembra como as coisas realmente são. Nos lembra que pessoas são mais do que pequenos amontoados de carne e ossos. Nos lembra que o que nós vemos das pessoas é um pequeno intervalo entre o que eles querem mostrar e aquilo que não podem esconder. Nos lembra que tudo isso é infinitamente mais complicado do que gostamos de imaginar.
O problema é que as vezes eu me sinto tão esperta. Tão analítica e pronta para entender o mundo ao meu redor. Eu quero ser uma escritora, é isso que escritores fazem, não? Entendem as pessoas, o mundo, as razões, os motivos. Eu supostamente deveria saber melhor. Deveria saber que comunicação é importante, que nem tudo que fica implícito é realmente entendido. Que nem todos os silêncios tem o mesmo significado. Eu deveria saber que pessoas não se encaixam em pequenas caixas perfeitas embrulhadas para presente.
Porque pessoas não são assim. Porque quando você acha que chegou fundo na empatia, que finalmente compreendeu o incompreensível, que todos os mistérios foram resolvidos - normalmente você só está olhando para um minúsculo grão de areia de um universo inteiro. E dai as pessoas vão lá e fazem o impensado, e agem de uma forma totalmente contra o que você imaginaria razoável, e você se sente no direito de reclamar. No direito de devolver a mercadoria. No direito de deitar no chão do seu quarto, colocar uma música depressiva e ficar pensando o que você fez de tão errado pro mundo pra merecer uma coisa dessas.
Nesses momentos meio desolados, depressivos e deprimentes, eu penso no velho e bom William. Oh William, às vezes eu penso que você foi o único que realmente entendeu alguma coisa. A verdadeira tragédia não é, nem nunca foi, morrer de amor.
A maior tragédia de todas é quando o amor morre.
O problema é que as vezes eu me sinto tão esperta. Tão analítica e pronta para entender o mundo ao meu redor. Eu quero ser uma escritora, é isso que escritores fazem, não? Entendem as pessoas, o mundo, as razões, os motivos. Eu supostamente deveria saber melhor. Deveria saber que comunicação é importante, que nem tudo que fica implícito é realmente entendido. Que nem todos os silêncios tem o mesmo significado. Eu deveria saber que pessoas não se encaixam em pequenas caixas perfeitas embrulhadas para presente.
Porque pessoas não são assim. Porque quando você acha que chegou fundo na empatia, que finalmente compreendeu o incompreensível, que todos os mistérios foram resolvidos - normalmente você só está olhando para um minúsculo grão de areia de um universo inteiro. E dai as pessoas vão lá e fazem o impensado, e agem de uma forma totalmente contra o que você imaginaria razoável, e você se sente no direito de reclamar. No direito de devolver a mercadoria. No direito de deitar no chão do seu quarto, colocar uma música depressiva e ficar pensando o que você fez de tão errado pro mundo pra merecer uma coisa dessas.
Nesses momentos meio desolados, depressivos e deprimentes, eu penso no velho e bom William. Oh William, às vezes eu penso que você foi o único que realmente entendeu alguma coisa. A verdadeira tragédia não é, nem nunca foi, morrer de amor.
A maior tragédia de todas é quando o amor morre.
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Um pensamento bonito:
"Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, à noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas."