quarta-feira, 20 de março de 2013

Bicicletas, história e erros

Acho que uma das coisas que mais me incomodava nas aulas de história era quando eu via os mesmos erros sendo repetidos um sem número de vezes por um sem número de pessoas e sempre acabando mal. Quero dizer, custa tanto assim aprender um pouquinho com os erros passados? O quão complicado é simplesmente aceitar que se deu errado antes, vai dar errado agora? É tão difícil assim entender que invadir a Rússia durante o inverno é uma péssima ideia? Hein, Napoleão? Hein, Hittler?

Mas então eu comecei a viver um pouco mais no mundo real e um pouco menos no meu próprio mundo à parte. E um dos pontos mais importantes sobre o mundo real é que as coisas nem sempre fazem sentido. E por mais estúpido que pareça, às vezes nós precisamos ter nossa cota de erros. Não basta ver alguém se queimando, não basta ver alguém caindo, não basta alguém dizer que coca-cola e sorvete não combinam. Nós precisamos tentar. Precisamos colocar a porcaria da mão em cima do fogão. Precisamos sentir a dor. Precisamos ficar com uma cicatriz pelos próximos cinco anos. 

Não apenas porque essa é uma das melhores maneiras de aprender. Mas também por que às vezes é a única. 

Entretanto, tem mais. Claro que tem mais. E claro que faz ainda menos sentido. Porque é assim que as coisas são e pronto. 

Porque, às vezes, simplesmente tem aquela rua onde tu sabe que não deve andar de bicicleta. Porque todo mundo cai lá. Porque tu já caiu lá. Porque tu sabe que não é certo andar lá. Que andar de bicicleta por lá com certeza vai acabar mal. Mas mesmo assim você vai. Vai porque naqueles segundos que tu consegue andar de bicicleta por aquela rua, naqueles míseros segundos antes que tudo desmorone e tu se machuque, naqueles instantes que tu está andando tão, mas tão rápido, que nada mais importa, naqueles instantes você se sente invencível. 

E às vezes apenas isso importa. Esses segundos antes que o mundo desmorone. 

Porque errar é humano. E, às vezes, errar de novo é mais humano ainda. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Culpa é do John Green

(postagem hiper mega power atrasada, mas eu estava com preguiça demais pra digitar tudo isso)

De uma forma geral eu não me considero uma pessoa preconceituosa. Ao menos, não o tipo de pessoa preconceituosa que me vem à mente quando penso em pessoas preconceituosas, o que pode ser um pensamento especialmente preconceituoso. De qualquer forma, eu sei que tenho meus preconceitos.

Por exemplo, eu não como peixe. De jeito nenhum. Não importa se é assado, frito ou se foi jogado três vezes no ar numa noite de lua cheia. Eu não como. Eu não lembro como é o gosto e me sinto muito feliz com isso. Além disso, eu não chego nem perto de qualquer livro do Paulo Coelho ou da Martha Medeiros. Nunca li nada deles e com sorte vou morrer sem ter lido. E eu decididamente odeio qualquer pessoa que odeie livro, mesmo as que eu não conheço. 

E eu estou ok quanto a esses preconceitos. Quero dizer, não é como se eu me sinta feliz por ter uma predileção a odiar noventa por cento do mundo – mas eu estou ok com isso. Mas querem saber uma coisa sobre ter preconceitos? É uma droga. 

Verdadeiramente, é realmente uma droga. Acreditem em mim.

***

Eu não lembro a primeira vez que eu ouvi falar de “A Culpa é das Estrelas” do ilustríssimo Sr. John Green.  Mas eu me lembro bem de que o título nunca me incentivou muito a saber mais sobre a história – tanto pelo contrário. “A Culpa é das Estrelas” soa muito como aqueles pseudo-livros “Bianca” e “Sabrina” que minha mãe faz questão de ler. 

Além do mais, a história garota-com-câncer-encontra-garoto-bonito-se-apaixonam-blá-blá-blá parece demais com as histórias do Sparks, e Deus sabe que a vida é curta demais para ser desperdiçada com literatura ruim, como a dos livros desse senhor.
Mas, contudo, entretanto e todavia.

“A Culpa é das Estrelas” começou a me perseguir. Primeiro apareceu em um web show que eu olho, o Lydia Bennet!! (spin off de The Lizzie Bennet Diaries), onde a Mary estava lendo. Depois a Mary Kate Wiles(aka Lydia Bennet) disse em seu Tumblr que esse era o livro preferido dela (e eu realmente, realmente gosto da MK). Então o golpe final veio, numa quinta-feira a noite, e eu soube que não tinha mais volta. Lá estava, no feed de notícias do meu Facebook, um post sobre o quão genial esse livro era. 

Confesso que ainda não levava muito fé no livro. Mas resolvi dar uma chance pra história. Nem que fosse só para poder falar mal depois. Quão estúpida eu era. Quão estúpida eu sou...

Acabei de ler o livro um pouco depois das três da manhã, com lágrimas escorrendo pelos olhos e o coração quebrado em um milhão de pedaços. Por que o John Green é um bastardo sem misericórdia -  e eu posso dizer isso sobre ele, uma vez que estou totalmente apaixonada por esse cara e seu irmão (mas isso é assunto pra outro post). 

TFiOS como é chamado (The Fault in Our Stars – título original) é mais do que genial. Vai muito além da genialidade. Como o Marcus Zusak diz na capa, eu ri, eu chorei e eu, definitivamente, quis mais. 

Eu tenho um problema com resenhas, porque eu odeio qualquer tipo de spoiler (por mais idiota que seja) sobre um livro antes de lê-lo. Mas eu preciso escrever sobre esse livro. Preciso. Então, se vocês são como eu e não gostam de conhecer a história antes de lerem o livro, aconselho que pulem para o parágrafo final. 

Eu acho extremamente complicado traduzir o porque alguns livros são tão magnificamente bons e outros tão especialmente ruins. Na minha humilde opinião, existem dois caminhos para se criar um bom livro. Você pode ter essa história super fantástica, como Harry Potter ou Eragon, e simplesmente ir contando ela. Ou você pode criar uma história "normal" e contá-la de maneira fantástica, como "A Libélula dos Seus Oito Anos" ou "O Assassinato de Roger Acroyd". 

Eu diria que o livro do John Green pende mais para o lado do escrito magnificamente do que para o lado de história totalmente empolgante. Quero dizer, livros de garotas com câncer tem aos montes por ai. Romances juvenis então nem se fala. Mas ele pegou esses elementos meio "batidos" e fez algo totalmente novo e maravilhoso.

O que eu realmente, realmente gostei no livro é que apesar da Hazel (personagem principal) ser uma vítima (do câncer) ela não é uma vítima (da vida). Ela não passa o livro inteiro chorando por que oh! como é triste viver assim, nem o câncer é uma desculpa para fazer a história parecer mais "profunda" do que realmente é. Ela é como uma pessoa real realmente é. Às vezes ela fica totalmente de cara com o universo por fazer o que faz com ela, às vezes ela simplesmente aceita as coisas como são e segue em frente do jeito que é. 

É bom ler um livro que finalmente quebra esse monte de ditados horrorosos como "Sem dor, como conheceríamos a alegria?", ao que a Hazel brilhantemente responde que o sabor do brócolis não afeta em nada o do sorvete. 

É bom ler um livro que não romantize uma doença tão horrível quanto o câncer. Porque é horrível. Porque é decididamente uma das piores doenças que jamais existiu. Porque é teu corpo se virando contra ele mesmo. Porque requer um tratamento que é tão horrível quanto a doença em si. E isso NÃO devia ser romantizado. 

É bom ler um livro que tenha uma personagem principal que, antes de mais nada, é inteligente. Que não é só mais uma garota estúpida com sonhos mais estúpidos ainda. Que sabe fazer piada mesmo quando tudo está caindo aos pedaços. Que é tão verdadeiramente feita de awesome.

É bom ler um livro que é cheio de referências a Shakespeare. E que a cada página trás um quote mais inesquecível do que outro. 

E é terrivelmente bom ler um livro onde apareça um Augustus Waters. Convenhamos, ele é o garoto mais incrível do universo. E eu subiria com ele nessa montanha russa, que só vai para cima, até o fim. 

Uma pena que ele não exista. Mas bem, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos. 
Para concluir, basta dizer que eu leria até a lista de compra do John Green. 
E seria muito feliz fazendo isso. 

P.S.: O nome "A Culpa é das Estrelas" que me irritou tanto no início, é uma referência a uma passagem de Júlio César:
“A culpa, querido Brutus, não é de nossas estrelas, mas de nós mesmos.”
(Sorry Shakespeare, mas às vezes a culpa é sim das estrelas. John Green provou isso).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Marcianos

Novamente os marcianos voltaram para o seu planeta decepcionados. Mais uma vez tinham vindo à Terra, mas o resultado tinha sido o mesmo de todas as outras vezes. Nenhum indício de vida inteligente foi encontrado. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Um texto a ser escrito

Eu tenho um texto a ser escrito. Tenho a ideia na minha cabeça, as frases montadas girando em círculos tortos na minha imaginação e muitas imagens do que deve ser descrito. Eu tenho um texto a ser escrito e tempo para escrevê-lo. Mas nada nunca é tão fácil. 

Eu tenho um texto a ser escrito. Uma vida a viver. Bons livros a serem lidos.

Mas não, não faço nada disso.

Não agora.

Tenho muito a fazer e uma grande vontade de fazer nada. 

E o nada eu faço.

E como o nada é bom de se fazer!

domingo, 23 de dezembro de 2012

O gosto amargo das decepções

Decepções. As palavras criam asas e voam para um mundo desconhecido e com certeza melhor que o nosso. As palavras, na verdade, sempre foram o melhor refúgio para aqueles que desejam fugir deste mundo infinitamente problemático e catastrófico. Decepções. Os olhos, eternos sentimentais, se enchem de lágrimas. Quanto drama! O coração bate errado, descompassado, machucado. E que se dane a rima, o poeta e a poesia. E já não existem borboletas por dentro, e sim um vazio mortal, desesperador e doentio. Decepções. Nascem dos mais belos sonhos, daqueles com gostinho de tarde de verão. Pura enganação! São eles que criam as raízes perigosamente fundas que fazem com que doam tanto, as decepções. Enganam nosso sistema imunológico, mas são veneno puro. Os sonhos, as decepções. Dois lados da mesma moeda. Decepções. Que fazem tudo perder o brilho, que estragam o mais bonito dos dias, que matam de dentro para fora. De que adianta culpar os outros? As decepções são nossas e só a nós pertencem. São os frutos estragados da nossa imaginação. E apenas nós somos responsáveis por elas. Apenas nós. Ah, as decepções... 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Marvin e o Medo

Era uma vez Marvin.

Marvin odiava todas as histórias que começavam com "Era uma vez". Desde a mais tenra idade, ele tinha ouvido seu pai contar histórias e sempre que começavam com "Era uma vez", elas acabavam mal. Seu pai era especialmente cuidadoso e, depois da morte de sua mulher, tudo foi de mal a pior. O pai dele era tão, mas tão cuidadoso, que sempre que contava alguma história ao filho, fazia questão de não incentivar Marvin a cometer as mesmas loucuras que os personagens de contos de fadas estavam fadados a repetir.

Assim, Marvin cresceu ouvindo histórias sobre Feras que devoravam Belas, Brancas de Neve que comiam o que estranhos lhes ofereciam e nunca mais acordavam e menininhas com chapéus vermelhos que nunca mais voltavam pra casa após ignorar os avisos de seus pais.

Marvin cresceu com medo do escuro. Com medo das pessoas. Com medo de se machucar. Com medo de ficar doente. Com medo de errar. Com medo de ser burro. Com medo de ser muito esperto. Com medo de nunca chegar a ter um amigo. Com medo de vozes e também do silêncio. Marvin acreditava que existiam certos monstros embaixo de sua cama, por isso passava noites em claro. Durante o dia, Marvin tinha medo que algum meteoro qualquer caísse na Terra exatamente no lugar onde ele se encontrava. Desta forma, sempre que possível, ele passava o tempo no pequeno armário embaixo na escada da sua casa, o único lugar onde se sentia relativamente seguro. 

Contudo, isso fez de Marvin um adulto esquálido, frágil e pálido. A medida que amadurecera, ele perdeu muito de seus medos infantis, mas também adquiriu uma série de outros. Marvin passou a temer o futuro, temer as escolhas. Temia as garotas, temia morrer sozinho. Marvin tinha medo das contas que nunca paravam de chegar, do desemprego que poderia durar e da falta de oportunidades que parecia reinar. Marvin ainda temia o escuro, temia as ruas vazias e cheias de sombras e todos os ladrões que poderiam aparecer. Marvin temia as vozes e o que elas poderiam dizer, temia os "não", temia os "desculpe", temia os pesadelos e temia quando eles se tornavam realidade.

Marvin tinha medo. E tinha medo de encontrar mais medos. Tinha medo de nunca perder seus medos. Porém, então, ele encontrou Ela, aquela que fez tudo fazer sentido. Aquela que fez o que não fazia sentido parecer lindo. Aquela que iluminou todos os caminhos. A mulher de sua vida, de sua existência, a mulher do agora e a do para sempre. Era ela e ele sabia, desde o momento em que a viu pela primeira vez ele soube. Mas Marvin ainda tinha medo. Medo de estragar tudo, medo de não saber o que dizer, medo de descobrir que estava errado, medo de ser rejeitado, medo de ser machucado.

Marvin ainda era Marvin e, assim sendo, não foi capaz de fazer o que era preciso. E, então, a perdeu.

E cá está Marvin hoje e eu consigo ver nos seus olhos que pra ele chega. Ele está decidido, tudo isso foi mais do que ele poderia suportar. Ele perdeu grande parte de sua vida para o medo e agora vê isso. Ele sabe que muito do que perdeu nunca mais conseguirá de volta, mas ele está disposto a não perder mais nada. Marvin está decidido e não vai mais voltar atrás. A partir deste instante, ele é outro homem, ele é corajoso e destemido. Ele odeia o medo e o repele. O medo já não faz parte de Marvin. A partir de agora, nada mais o deterá.

E é uma pena, de fato, que ele tenha esquecido de avisar isso a todos os carros que trafegam pela rua. É uma pena  que o motorista do ônibus não tenha sido avisado de que não pode deter Marvin. É uma pena que ele não saiba que Marvin não vai olhar para os lados antes de atravessar, que hoje Marvin não vai ter medo de nada e nem se deixará deter por nada. É uma grande pena, mas é como a vida é.

Nos instantes que antecedem o fim, entretanto, Marvin se permite sentir medo. Porque nesse momento ele entende tudo, entende que seus medos são uma parte fundamental de quem ele é. Negá-los é negar a si mesmo. Se ele errou, não foi por ter medo, mas sim por não enfrentá-lo.

Assim sendo, posso garantir que Marvin encara a morte de frente. Ele sabe o que está acontecendo, entende as consequências disso e tem medo. Mas ele vai além. Porque agora ele sabe. Agora ele entende.

Marvin fecha os olhos e finalmente sente-se em paz consigo mesmo.

E, então, não sente mais nada.

É o fim. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sonhos de uma tarde de quase-verão

No silêncio do Caos
Na solidão em meio a multidões
Eu me encontro em mim
E me perco de ti
Descobrindo todo um novo mundo
De velhas emoções


Eu já disse que não sirvo para poesia, certo? haha. Me aguentem. Por favor.
Mais uma experiência fotográfica, então. Esses dias lindos pedem por isso, sério.

***













P.S.: SIM! Eu gosto bastante de árvores!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Feicitiando por ai

O texto já foi feito há tempos, num caderno recém-comprado, em uma bela tarde de sol.  Eu não pensava em publicar aqui. Contudo, entretanto e todavia as ideias mudam. Não sei se estou certa, ainda penso que existe muito de mim nele e até certas coisas que eu não tenho muita certeza sobre compartilhar. Mas não seria o blog um lugar para falar o que precisa ser dito, mas que não se encontra ninguém a quem falar?  Esse vem sendo meu pensamento desde o não tão remoto início e começar a sonegar informações agora parece quase um crime.

É verdade, também, que aos poucos fui fazendo do meu asteroide o meu melhor amigo e agora é tarde demais para voltar atrás. Tantas vezes o usei para extravazar raiva, angústia, tristeza e solidão, que o mínimo que posso é, quando tenho a chance, compartilhar algo de tantas formas mais feliz.

Então, para variar, que venha um sobre felicidade.

*****

E cá estou eu novamente as voltas com um diário. Durará esse mais do que os outros? Não sei, mas não custa nada tentar. E, claro, vou ter que começar falando um pouco nele. Estou começando a aceitar que ele sempre será um ponto importante na minha vida, um marco. É engraçado porque em vez do meu primeiro namorado ou do primeiro garoto que beijei, tenha que ele ser o marco. Logo ele, que não me fez nada além de existir... Ok! Ele fez mais. Ele foi meu amigo, uma espécie de instrutor e até, de muitas maneiras, um exemplo. Mas, acima de tudo, eu quis me tornar uma pessoa a altura dele, alguém legal a maneira dele – e acho que consegui.

Mas, como não poderia deixar de ser, hoje ele namora essa outra garota que não tem muito a ver com o que eu imaginei. E, estranhamente, isso já não me afeta tanto assim. De todo meu amor – ou o que poderia ser amor – só resultou um hábito. E o hábito, aos poucos, eu fui matando. Mas, mais do que qualquer coisa, acho que isso já não faz mais tanta diferença assim porque eu me tornei outra pessoa. Da mesma forma que a garota que entrou na Liberato não era a mesma depois de conhecer ele, hoje eu não sou a mesma garota caindo de amores.

E então, com essa nova garota, é que tudo começa.

***

Ainda no início do ano, já sonhava com a tal da FEICIT, mas muita coisa veio e muita coisa foi e, no final das contas, já não tinha mais tanta esperança de ir. Veio a professora e falou com umas amigas minhas, disse que o trabalho delas tinha chance de ir pra feira e coisa e tal. E nada me disse, e eu já me martirizava por ser tão procrastinadora, preguiçosa e vai saber que outros adjetivos nada elogiosos com “p”.

A verdade é que, mesmo dispondo de todo o tempo das férias, eu fiz o plano de pesquisa na madrugada antes do dia da entrega e mais ou menos a mesma coisa com o caderno de campo. Por puxa-saquismo, sorte (ser irmã de quem eu sou?), genialidade inesperada (duvido!), fiquei com sete e alguma coisa na média. Menos que alguns, mas mais do que muitos.

Andava, pois, feliz com minhas notas, mesmo que não fossem excelentes, eram extremamente boas quando se leva em conta todo o drama. Mas também andava meio triste com a perda da suposta vaga na FEICIT. Entretanto, não chegando a serem quarenta e cinco minutos do segundo tempo – mas quase isso – a professora me indicou e a um dos meus colegas que deveríamos nos inscrever, caso quiséssemos participar. E assim fizemos, ele com bem mais relutância que eu – que andava pelas nuvens.

Contudo, para não perder a prática, me vi novamente virando a noite para conseguir terminar tudo. Matei aula e morri de cansaço. O primeiro dia foi um horror, depois de mais de trinta horas sem dormir eu estava só por atirar o estande no chão e me jogar em cima dele. Assim que cheguei a casa desmaiei na minha cama e segui desmaiada até o outro dia de manhã. O tão temido dia da avaliação.

Sai ainda mais atrapalhada do que o normal - e eu sou a rainha das trapalhadas – esqueci a fonte do note, o plano de pesquisa e a calma. O horror. Mas o universo sabe cooperar comigo de vez em quando e os avaliadores foram demais. O professor E. que me ama simplesmente porque eu tenho um interesse ínfimo em filosofia (e é bem triste, já que parece que poucas outras pessoas também tem) e uma professora bem querida da química que realmente pareceu curtir o trabalho. Até a N. veio à noite e deu uns conselhos legais sobre o trabalho – vai entender! Haha

Sexta-feira foi, de TÃO LONGE, o melhor dia. Como diria um dos meus queridos professores, foi uma galinhagem só. Ri tanto, tirei mil e uma fotos e me diverti de verdade. Andei, saracoteei e fiz o que queria fazer. Almocei com o povo do segundo ano e foi aquela festa – mas a premiação estava vindo aí.

-A verdade é que já há algum tempo pensava (principalmente naqueles minutinhos antes de cair no sono) que ganhar alguma coisa seria realmente bom. Mas afastava a ideia, bem rápido, lembrando o gosto tão amargo que o Liberarte deixara em mim. Enfim, confesso que queria. Confesso que queria tanto! Mas não falava e quando perguntavam desconversava. Porque nesses casos mais vale se fazer um pouco do que não saber onde colocar a cara depois. Eu estava feliz por estar expondo e tentava ficar por isso mesmo. –

E sim, eu fiquei nervosa. Muito nervosa quando anunciaram o terceiro lugar, pensei que poderia ser eu – mas não foi. Decepção. Mas nem foi tão ruim assim, porque eles logo disseram o segundo lugar. Isso foi DEFIITIVAMENTE estranho. Eu não via o palco porque uma dessas garotas anoréxicas de longuíssimos cabelos lisos – quer estereótipo mais sem criatividade?! – tinha parado na minha frente. E, então, eu fui ouvindo e – MEU DEUS! – a professora falou “Análise dos hábitos...” juro que não ouvi mais nada. Já foi difícil ouvir a parte dos hábitos, porque análise já tinha me deixado em choque. E eu, para variar, não soube o que fazer.

Poxa vida, ainda não sei como consegui chegar ao palco sem cair. Eu tremia descontroladamente como sempre acontece quando eu fico nervosa, infelizmente. Abracei minha orientadora, abracei a professora I., abracei o professor desconhecido que me entregou a medalha. E depois abracei TODOS do mundo ou quase isso.

Acho, com quase absoluta certeza, que são momentos como esse que fazem tudo valer a pena: sono, cansaço e estresse. Aquilo foi felicidade pura. Pode parecer pouco para muitos, mas significou um monte, para mim. Não quero parecer convencida, porque na realidade eu não sou, mas naqueles minutos se me perguntassem quem eu queria ser – de todas as pessoas do universo – eu teria dito Bibiana Davila.

Talvez seja falta de confiança em mim mesma, talvez sejam problemas seriíssimos de autoestima ou talvez seja algo bem próprio do ser humano. Mas saber de alguma forma que algo que eu mesma tinha feito foi considerado bom o suficiente, que outras pessoas consideraram bom... Foi uma das melhores coisas do mundo. Sério.

É bom saber que se é bom em algo ou que se fez algo bem feito. E eu, que nunca fui a mais bonita, mais rápida ou mais atlética (haha) fico feliz em saber que fui uma das melhores em pelo menos uma coisa.

A sensação é ótima. É como se sentir...
...infinito.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Uma quinta-feira de sol

Ontem almocei na casa dos meus avós. Entre algumas abobrinhas e alguns goles de refrigerante de guaraná quente eu já nem lembrava mais do pesadelo que tinha me feito acordar na madrugada de quinta-feira com o coração na boca e suor nas mãos. O dia estava bem quente e por isso as janelas estavam todas abertas, de modo que algumas faixas de luz solar conseguiram se esgueirar para dentro do cômodo e essas iluminaram uma série de partículas rodopiantes de poeira. Iluminaram, também, o olhar do meu avô. Meu avô tem olhos azuis, realmente azuis, muito azuis. Mais azuis do que o céu estava ontem. E, por um segundo, antes que ele desviasse o olhar da luz, eles brilharam como eu nunca tinha visto.

Meu avô tem essa coisa no olhar, talvez seja a forma como ele olha, mas parece que ele realmente vê as coisas como elas são. Ele tem olhos de quem sabe que nada do que fazemos, sentimos ou falamos tem toda essa importância que às vezes a gente imagina, olhos de quem entende que o universo se estende muito além dessas nossas vidinhas pacatas, que há muito no mundo pra ser visto e que dificilmente alguém conseguirá realmente ver tudo, o que dirá entender. Ele tem esses olhos de quem sabe que um dia deixará de existir, que um dia todos nós deixaremos. Mas, além de compreender tudo isso, ele também tem essa outra coisa. Não é que ele não se importe com tudo isso, é mais como se estivesse tudo bem pra ele que as coisas sejam assim. Tudo bem que a vida um dia acabe, tudo bem que a gente talvez nunca entenda realmente porque estamos aqui e tudo bem, até mesmo, que nem exista um verdadeiro sentido pra tudo.

Eu queria ser mais como meu avô. Queria estar mais conformada com o nosso destino e com o mundo como ele é. Queria me alegrar com tudo de bom que existe, queria me entorpecer com toda a beleza do mundo. Queria, definitivamente, não ligar para certas coisas tão pequenas e idiotas. Queria aceitar melhor que certas coisas simplesmente fogem do nosso controle. Queria tanto, mas queria mesmo, apenas me prender as coisas boas. Me prender ao olhar azul do meu avô, e como ele ficou tão bonito e brilhante quando o sol iluminou ele ontem. Me prender as partículas de poeira ignoradas pela gravidade, que giram em infinitas piruetas pelos raios de sol. Me prender as bolhas do copo de guaraná quente e como o sabor combina perfeitamente com essa quinta-feira preguiçosa e abafada. 

Mas eu não consigo. Talvez eu só não consiga realmente ser feliz, talvez seja isso. Talvez eu seja uma dessas pessoas que acabam sabotando a própria felicidade, que vivem constantemente infelizes por escolha própria. Talvez seja como no meu pesadelo de quinta de madrugada, onde eu sei que não importa o quanto eu corra no final não será o suficiente. Talvez da mesma forma eu saiba que não importa o quanto eu seja feliz, chegará o momento que a infelicidade me encontrará. No meu pesadelo, eu acordei antes de ter que escolher entre correr ou simplesmente aceitar meu final trágico. Algo me diz, entretanto, que na vida real eu tenho escolher. Escolher entre buscar a felicidade, mesmo que um dia ela acabe ou simplesmente me conformar com minha própria infelicidade.

Não sei como vou pensar daqui a cinco, dez, vinte anos. Mas, no momento, eu escolho correr.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Capítulo VI - e outras besteiras

Como faço sempre que sobra um tempo, vim dar uma passada por aqui pra ver como as coisas estavam. Vocês sabem, revolver os vulcões e procurar umas raízes de baobás que possam estar se esgueirando por ai. Aproveitei e vi um pôr do sol, e depois outro e outro. E mais muitos. Ver o sol se pôr é tão bonito e tão triste. E mesmo quando a gente desvia o olhar para as estrelas e vê que elas riem, ainda assim é tão triste.  Eu possivelmente não deveria achar isso, mas existe essa beleza tão grande na tristeza e na melancolia.  Os livros, as músicas, as histórias mais tristes são sempre tão bonitas... as mais bonitas. E isso é tão, tão errado.  Acho que estou precisando ver o sol se pôr mais umas quarenta e três vezes. Acho que estou precisando reler os últimos capítulos de Relíquias mais uma vez. Acho que estou precisando rever o último episódio da primeira temporada de The O.C. e o último episódio de Gilmore Girls. Acho que estou precisando ouvir Hallelujah mais umas mil vezes e criar toda uma playlist com Snow Patrol, Plain White T's e Joseph Arthur. Eu estou, definitivamente, precisando fazer alguma coisa. Eu só não sei o quê.