O texto já foi feito há tempos, num caderno recém-comprado, em uma bela tarde de sol. Eu não pensava em publicar aqui. Contudo, entretanto e todavia as ideias mudam. Não sei se estou certa, ainda penso que existe muito de mim nele e até certas coisas que eu não tenho muita certeza sobre compartilhar. Mas não seria o blog um lugar para falar o que precisa ser dito, mas que não se encontra ninguém a quem falar? Esse vem sendo meu pensamento desde o não tão remoto início e começar a sonegar informações agora parece quase um crime.
É verdade, também, que aos poucos fui fazendo do meu asteroide o meu melhor amigo e agora é tarde demais para voltar atrás. Tantas vezes o usei para extravazar raiva, angústia, tristeza e solidão, que o mínimo que posso é, quando tenho a chance, compartilhar algo de tantas formas mais feliz.
Então, para variar, que venha um sobre felicidade.
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E cá estou eu novamente as voltas com um diário. Durará esse mais do que os outros? Não sei, mas não custa nada tentar. E, claro, vou ter que começar falando um pouco nele. Estou começando a aceitar que ele sempre será um ponto importante na minha vida, um marco. É engraçado porque em vez do meu primeiro namorado ou do primeiro garoto que beijei, tenha que ele ser o marco. Logo ele, que não me fez nada além de existir... Ok! Ele fez mais. Ele foi meu amigo, uma espécie de instrutor e até, de muitas maneiras, um exemplo. Mas, acima de tudo, eu quis me tornar uma pessoa a altura dele, alguém legal a maneira dele – e acho que consegui.
Mas, como não poderia deixar de ser, hoje ele namora essa outra garota que não tem muito a ver com o que eu imaginei. E, estranhamente, isso já não me afeta tanto assim. De todo meu amor – ou o que poderia ser amor – só resultou um hábito. E o hábito, aos poucos, eu fui matando. Mas, mais do que qualquer coisa, acho que isso já não faz mais tanta diferença assim porque eu me tornei outra pessoa. Da mesma forma que a garota que entrou na Liberato não era a mesma depois de conhecer ele, hoje eu não sou a mesma garota caindo de amores.
E então, com essa nova garota, é que tudo começa.
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Ainda no início do ano, já sonhava com a tal da FEICIT, mas muita coisa veio e muita coisa foi e, no final das contas, já não tinha mais tanta esperança de ir. Veio a professora e falou com umas amigas minhas, disse que o trabalho delas tinha chance de ir pra feira e coisa e tal. E nada me disse, e eu já me martirizava por ser tão procrastinadora, preguiçosa e vai saber que outros adjetivos nada elogiosos com “p”.
A verdade é que, mesmo dispondo de todo o tempo das férias, eu fiz o plano de pesquisa na madrugada antes do dia da entrega e mais ou menos a mesma coisa com o caderno de campo. Por puxa-saquismo, sorte (ser irmã de quem eu sou?), genialidade inesperada (duvido!), fiquei com sete e alguma coisa na média. Menos que alguns, mas mais do que muitos.
Andava, pois, feliz com minhas notas, mesmo que não fossem excelentes, eram extremamente boas quando se leva em conta todo o drama. Mas também andava meio triste com a perda da suposta vaga na FEICIT. Entretanto, não chegando a serem quarenta e cinco minutos do segundo tempo – mas quase isso – a professora me indicou e a um dos meus colegas que deveríamos nos inscrever, caso quiséssemos participar. E assim fizemos, ele com bem mais relutância que eu – que andava pelas nuvens.
Contudo, para não perder a prática, me vi novamente virando a noite para conseguir terminar tudo. Matei aula e morri de cansaço. O primeiro dia foi um horror, depois de mais de trinta horas sem dormir eu estava só por atirar o estande no chão e me jogar em cima dele. Assim que cheguei a casa desmaiei na minha cama e segui desmaiada até o outro dia de manhã. O tão temido dia da avaliação.
Sai ainda mais atrapalhada do que o normal - e eu sou a rainha das trapalhadas – esqueci a fonte do note, o plano de pesquisa e a calma. O horror. Mas o universo sabe cooperar comigo de vez em quando e os avaliadores foram demais. O professor E. que me ama simplesmente porque eu tenho um interesse ínfimo em filosofia (e é bem triste, já que parece que poucas outras pessoas também tem) e uma professora bem querida da química que realmente pareceu curtir o trabalho. Até a N. veio à noite e deu uns conselhos legais sobre o trabalho – vai entender! Haha
Sexta-feira foi, de TÃO LONGE, o melhor dia. Como diria um dos meus queridos professores, foi uma galinhagem só. Ri tanto, tirei mil e uma fotos e me diverti de verdade. Andei, saracoteei e fiz o que queria fazer. Almocei com o povo do segundo ano e foi aquela festa – mas a premiação estava vindo aí.
-A verdade é que já há algum tempo pensava (principalmente naqueles minutinhos antes de cair no sono) que ganhar alguma coisa seria realmente bom. Mas afastava a ideia, bem rápido, lembrando o gosto tão amargo que o Liberarte deixara em mim. Enfim, confesso que queria. Confesso que queria tanto! Mas não falava e quando perguntavam desconversava. Porque nesses casos mais vale se fazer um pouco do que não saber onde colocar a cara depois. Eu estava feliz por estar expondo e tentava ficar por isso mesmo. –
E sim, eu fiquei nervosa. Muito nervosa quando anunciaram o terceiro lugar, pensei que poderia ser eu – mas não foi. Decepção. Mas nem foi tão ruim assim, porque eles logo disseram o segundo lugar. Isso foi DEFIITIVAMENTE estranho. Eu não via o palco porque uma dessas garotas anoréxicas de longuíssimos cabelos lisos – quer estereótipo mais sem criatividade?! – tinha parado na minha frente. E, então, eu fui ouvindo e – MEU DEUS! – a professora falou “Análise dos hábitos...” juro que não ouvi mais nada. Já foi difícil ouvir a parte dos hábitos, porque análise já tinha me deixado em choque. E eu, para variar, não soube o que fazer.
Poxa vida, ainda não sei como consegui chegar ao palco sem cair. Eu tremia descontroladamente como sempre acontece quando eu fico nervosa, infelizmente. Abracei minha orientadora, abracei a professora I., abracei o professor desconhecido que me entregou a medalha. E depois abracei TODOS do mundo ou quase isso.
Acho, com quase absoluta certeza, que são momentos como esse que fazem tudo valer a pena: sono, cansaço e estresse. Aquilo foi felicidade pura. Pode parecer pouco para muitos, mas significou um monte, para mim. Não quero parecer convencida, porque na realidade eu não sou, mas naqueles minutos se me perguntassem quem eu queria ser – de todas as pessoas do universo – eu teria dito Bibiana Davila.
Talvez seja falta de confiança em mim mesma, talvez sejam problemas seriíssimos de autoestima ou talvez seja algo bem próprio do ser humano. Mas saber de alguma forma que algo que eu mesma tinha feito foi considerado bom o suficiente, que outras pessoas consideraram bom... Foi uma das melhores coisas do mundo. Sério.
É bom saber que se é bom em algo ou que se fez algo bem feito. E eu, que nunca fui a mais bonita, mais rápida ou mais atlética (haha) fico feliz em saber que fui uma das melhores em pelo menos uma coisa.
A sensação é ótima. É como se sentir...
...infinito.