Era uma vez Marvin.
Marvin odiava todas as histórias que começavam com "Era uma vez". Desde a mais tenra idade, ele tinha ouvido seu pai contar histórias e sempre que começavam com "Era uma vez", elas acabavam mal. Seu pai era especialmente cuidadoso e, depois da morte de sua mulher, tudo foi de mal a pior. O pai dele era tão, mas tão cuidadoso, que sempre que contava alguma história ao filho, fazia questão de não incentivar Marvin a cometer as mesmas loucuras que os personagens de contos de fadas estavam fadados a repetir.
Assim, Marvin cresceu ouvindo histórias sobre Feras que devoravam Belas, Brancas de Neve que comiam o que estranhos lhes ofereciam e nunca mais acordavam e menininhas com chapéus vermelhos que nunca mais voltavam pra casa após ignorar os avisos de seus pais.
Marvin odiava todas as histórias que começavam com "Era uma vez". Desde a mais tenra idade, ele tinha ouvido seu pai contar histórias e sempre que começavam com "Era uma vez", elas acabavam mal. Seu pai era especialmente cuidadoso e, depois da morte de sua mulher, tudo foi de mal a pior. O pai dele era tão, mas tão cuidadoso, que sempre que contava alguma história ao filho, fazia questão de não incentivar Marvin a cometer as mesmas loucuras que os personagens de contos de fadas estavam fadados a repetir.
Assim, Marvin cresceu ouvindo histórias sobre Feras que devoravam Belas, Brancas de Neve que comiam o que estranhos lhes ofereciam e nunca mais acordavam e menininhas com chapéus vermelhos que nunca mais voltavam pra casa após ignorar os avisos de seus pais.
Marvin cresceu com medo do escuro. Com medo das pessoas. Com medo de se machucar. Com medo de ficar doente. Com medo de errar. Com medo de ser burro. Com medo de ser muito esperto. Com medo de nunca chegar a ter um amigo. Com medo de vozes e também do silêncio. Marvin acreditava que existiam certos monstros embaixo de sua cama, por isso passava noites em claro. Durante o dia, Marvin tinha medo que algum meteoro qualquer caísse na Terra exatamente no lugar onde ele se encontrava. Desta forma, sempre que possível, ele passava o tempo no pequeno armário embaixo na escada da sua casa, o único lugar onde se sentia relativamente seguro.
Contudo, isso fez de Marvin um adulto esquálido, frágil e pálido. A medida que amadurecera, ele perdeu muito de seus medos infantis, mas também adquiriu uma série de outros. Marvin passou a temer o futuro, temer as escolhas. Temia as garotas, temia morrer sozinho. Marvin tinha medo das contas que nunca paravam de chegar, do desemprego que poderia durar e da falta de oportunidades que parecia reinar. Marvin ainda temia o escuro, temia as ruas vazias e cheias de sombras e todos os ladrões que poderiam aparecer. Marvin temia as vozes e o que elas poderiam dizer, temia os "não", temia os "desculpe", temia os pesadelos e temia quando eles se tornavam realidade.
Marvin tinha medo. E tinha medo de encontrar mais medos. Tinha medo de nunca perder seus medos. Porém, então, ele encontrou Ela, aquela que fez tudo fazer sentido. Aquela que fez o que não fazia sentido parecer lindo. Aquela que iluminou todos os caminhos. A mulher de sua vida, de sua existência, a mulher do agora e a do para sempre. Era ela e ele sabia, desde o momento em que a viu pela primeira vez ele soube. Mas Marvin ainda tinha medo. Medo de estragar tudo, medo de não saber o que dizer, medo de descobrir que estava errado, medo de ser rejeitado, medo de ser machucado.
Marvin ainda era Marvin e, assim sendo, não foi capaz de fazer o que era preciso. E, então, a perdeu.
E cá está Marvin hoje e eu consigo ver nos seus olhos que pra ele chega. Ele está decidido, tudo isso foi mais do que ele poderia suportar. Ele perdeu grande parte de sua vida para o medo e agora vê isso. Ele sabe que muito do que perdeu nunca mais conseguirá de volta, mas ele está disposto a não perder mais nada. Marvin está decidido e não vai mais voltar atrás. A partir deste instante, ele é outro homem, ele é corajoso e destemido. Ele odeia o medo e o repele. O medo já não faz parte de Marvin. A partir de agora, nada mais o deterá.
E é uma pena, de fato, que ele tenha esquecido de avisar isso a todos os carros que trafegam pela rua. É uma pena que o motorista do ônibus não tenha sido avisado de que não pode deter Marvin. É uma pena que ele não saiba que Marvin não vai olhar para os lados antes de atravessar, que hoje Marvin não vai ter medo de nada e nem se deixará deter por nada. É uma grande pena, mas é como a vida é.
Nos instantes que antecedem o fim, entretanto, Marvin se permite sentir medo. Porque nesse momento ele entende tudo, entende que seus medos são uma parte fundamental de quem ele é. Negá-los é negar a si mesmo. Se ele errou, não foi por ter medo, mas sim por não enfrentá-lo.
Assim sendo, posso garantir que Marvin encara a morte de frente. Ele sabe o que está acontecendo, entende as consequências disso e tem medo. Mas ele vai além. Porque agora ele sabe. Agora ele entende.
Marvin fecha os olhos e finalmente sente-se em paz consigo mesmo.
E, então, não sente mais nada.
É o fim.
Marvin tinha medo. E tinha medo de encontrar mais medos. Tinha medo de nunca perder seus medos. Porém, então, ele encontrou Ela, aquela que fez tudo fazer sentido. Aquela que fez o que não fazia sentido parecer lindo. Aquela que iluminou todos os caminhos. A mulher de sua vida, de sua existência, a mulher do agora e a do para sempre. Era ela e ele sabia, desde o momento em que a viu pela primeira vez ele soube. Mas Marvin ainda tinha medo. Medo de estragar tudo, medo de não saber o que dizer, medo de descobrir que estava errado, medo de ser rejeitado, medo de ser machucado.
Marvin ainda era Marvin e, assim sendo, não foi capaz de fazer o que era preciso. E, então, a perdeu.
E cá está Marvin hoje e eu consigo ver nos seus olhos que pra ele chega. Ele está decidido, tudo isso foi mais do que ele poderia suportar. Ele perdeu grande parte de sua vida para o medo e agora vê isso. Ele sabe que muito do que perdeu nunca mais conseguirá de volta, mas ele está disposto a não perder mais nada. Marvin está decidido e não vai mais voltar atrás. A partir deste instante, ele é outro homem, ele é corajoso e destemido. Ele odeia o medo e o repele. O medo já não faz parte de Marvin. A partir de agora, nada mais o deterá.
E é uma pena, de fato, que ele tenha esquecido de avisar isso a todos os carros que trafegam pela rua. É uma pena que o motorista do ônibus não tenha sido avisado de que não pode deter Marvin. É uma pena que ele não saiba que Marvin não vai olhar para os lados antes de atravessar, que hoje Marvin não vai ter medo de nada e nem se deixará deter por nada. É uma grande pena, mas é como a vida é.
Nos instantes que antecedem o fim, entretanto, Marvin se permite sentir medo. Porque nesse momento ele entende tudo, entende que seus medos são uma parte fundamental de quem ele é. Negá-los é negar a si mesmo. Se ele errou, não foi por ter medo, mas sim por não enfrentá-lo.
Assim sendo, posso garantir que Marvin encara a morte de frente. Ele sabe o que está acontecendo, entende as consequências disso e tem medo. Mas ele vai além. Porque agora ele sabe. Agora ele entende.
Marvin fecha os olhos e finalmente sente-se em paz consigo mesmo.
E, então, não sente mais nada.
É o fim.
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Um pensamento bonito:
"Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, à noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas."