Existem dias que eu acordo com certezas absolutas sobre todos os próximos dias que ainda virão em minha vida. Existem planos e passos e regras e ideias e objetivos e a luz no fim do túnel. Mas então eu lembro que preciso levantar do sofá cama e tomar um banho, arrumar os cobertores e ir trabalhar. E em algum momento entre o levantar e o almoço, todas as minhas estratégias para dominar o mundo parecem descer pelo ralo do chuveiro junto com os resquícios do sono das manhãs de quarta-feira.
A vida me cansa a coluna e as articulações e meu siso gosta de incomodar. Me percebo questionando se a partir daqui será sempre assim: dói. Não de uma maneira metafórica ou poética, não. Meu joelho dói quando eu me deito e penso em dormir. A insônia não deixa. A dor incomoda. Me surpreendo: envelheci.
Não sou velha, mas a cada sol sou menos jovem. É óbvio, mas não é. Demorei muito para perceber como o tempo é faminto. É só eu piscar para que meses passem desapercebidos. Algumas horas de distração, e o tempo levou anos inteiros. Até o dia de adormecer, e uma vida inteira ter ido. Escorrendo pelos dedos com a mesma instabilidade de um punhado de areia.
Gostaria de escrever todos os dias e de escrever melhor. Gostaria de ter mais palavras - não só nos textos, mas no dia a dia. Gostaria de ser mais fogo. Um furação inteiro, uma noite de ventania. De ser feita de um material mais forte, de um material melhor.
Mas preciso me contentar com a carne e os ossos e a preguiça e as dores e o tempo e a própria inevitabilidade de tudo. Preciso me contentar com a falta das certezas e as constantes dúvidas. Preciso me contentar com as tentativas: tentar escrever mais, tentar saber mais, tentar ser mais.
Até o dia de ser conquistada pelo tempo. Como acontecerá com todos nós. Um a um.

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Um pensamento bonito:
"Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, à noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas."